A DAY IN THE LIFE with: Psychtrus

Estreamos a rubrica A DAY IN THE LIFE: a desmitificação do artista para um patamar de humanização através do captar de sensações, momentos e emoções de um dia vivido de perto com os músicos em questão. O pontapé de saída desta nossa rubrica, deu-se numa tarde em que a chuva e o sol deram as mãos e um arco-íris se formava por cima do rio Ave, na cidade de Santo Tirso. Captámos momentos, sensações e emoções de um dia com Psychtrus e, no final do mesmo, estivemos à conversa com Gabriel Coelho “Gabi”, Gonçalo Teles “Guga”, Miguel Figueiredo “Figas” e Diogo Faria.

Questão da praxe: Como surgiram os Psychtrus?

Gabi: O Guga levou um soco no Indie [Music Fest] e foi expulso. Depois quando viemos para Santo Tirso fomos a casa dele, ele estava com um olho inchado a rir-se e esteve a contar-nos a história, então decidimos formar uma banda no gozo. Não tínhamos nome e achámos engraçado chamar Sucker Puncher.

Figas: Só que eram só eles os três…

Gabi: Sim… Nós ensaiávamos em cima do Carpe, tínhamos lá a sala de ensaio.

Figas: Eles depois pediram para me juntar à banda e eu disse que não. Depois pediram-me para juntar à banda e eu disse que não. E depois pediram-me e eu juntei-me; aí é que começaram os Psychtrus oficialmente. Eles já tinham umas músicas e tal, um estilo diferente de Sucker Puncher, que era tipo beach punk e este estilo novo era mais do meu agrado. Mais tarde, o Guga marcou um concerto para o Carpe Diem uma ou duas semanas depois e tivemos de começar a escrever músicas; escrevemos as músicas, demos o concerto e o pessoal ficou ‘Ui, um concerto bom? Que puta de estranho, não estava à espera’ e o José Costa, dono da editora Banzé, não estava lá, mas no dia seguinte e porque o pessoal estava sempre a referir o concerto, foi falar connosco e disse que queria que gravássemos um álbum. Então gravámos o álbum com essas músicas nos estúdios Ukaro Yamoto, em Vila das Aves, com produção do Miguel António Marques.

O processo entre formação da banda e lançamento do álbum foi bastante rápido…

Figas: Sim, foi basicamente one gig-get signed… O facto de termos começado mesmo rápido, de darmos um concerto e gravar logo um álbum, para mim não foi um choque porque eu não conhecia uma realidade diferente, só aquela que nos aconteceu.

Como foi o processo criativo do álbum?

Guga: Skipping school, play music!

Figas: Verdade. Para as músicas que estão no álbum, o Guga e o Gabi vinham com umas ideias e depois nós desenvolvíamos todos juntos. Outras músicas foram uma colaboração entre mim e o Guga, outras entre mim e o Gabi. O Diogo escreveu muitas das letras, eu ajudei noutras. Por isso acho que se pode dizer que apesar de parecer que cada um está ali a fazer a sua parte, muitos fizeram a parte uns dos outros.

Como tem sido a recepção do álbum?

Figas: Ainda não chegou (risos) a revista ‘os meus pais magazine’ disse que era um som agradável. Gabi, o que é que ‘os teus pais magazine’ disse do álbum?

Gabi: A minha mãe gostou muito da minha voz. (risos)

Figas: Estava desafinada. E o teu pai disse que mandei uma nota de baixo ao lado.

Diogo: Os meus pais curtiram da cena.

Figas: E os teus pais que disseram, Guga?

Guga: Fixe!

Figas: Ai é? Não foi o teu pai que disse que criámos uma sonoridade própria?

Guga: Sim.

Figas: Eu discordo, mas pronto.

Como surgiu a música na vossa vida?

Figas: Eu e o Gabi foi por causa da mesma rapariga! Há uma rapariga chamada Maria Teresa, que me introduziu a Nirvana e eu deprimi; comecei a tocar guitarra por causa disso. Não tinha qualquer interesse em música, nem qualquer passado musical na minha vida. No recital de flauta fiz de conta que toquei flauta, fui o único a reprovar duas vezes a música na primária! Depois na pré-adolescência comecei a ouvir Nirvana e comecei a interessar-me por música.

Guga: Eu nasci no ano 2000 ao som de Ornatos Violeta no parto! Depois os meus pais davam-me aqueles brinquedos esquisitos e eu “Não, eu quero é tocar“. Pedi uma bateria aos meus pais e comecei a tocar bateria, depois entrei no CCM (Centro Cultural Musical) e estive lá a aprender a tocar guitarra clássica e também aprendi a tocar piano.

Diogo: Foi igual ao Guga. Tive de ir para um Conservatório, o CCM, e toquei violoncelo, mas depois peguei na bateria.

Gabi: O meu pai é guitarrista e músico já há muitos anos e a minha mãe sempre tentou assustar-me para nunca querer fazer disso vida; não me interessar por isso e se eventualmente me interessasse, que teria de ser um hobby. A verdade é que não gostava muito de música nestes termos e o meu pai dava aulas de guitarra em casa, então os alunos entravam e eu estava no PC enquanto eles mandavam bocas a ver quando eu começava a dar uns toques na guitarra. Estavam sempre a pressionar-me por causa do meu pai tocar e então fazia o efeito contrário, mas chatearam-me tanto para aulas de guitarra que um dia me fartei e pedi ao meu pai aulas de bateria e ele inscreveu-me. Tive um ano de aulas de bateria e depois comecei a aprender guitarra às escondidas em casa, sem o meu pai saber, até sentir que estava bom o suficiente para lhe mostrar e então compus uma peça para lhe mostrar, mas não tenho necessidade de aprovação da parte dele, faço música porque sim e porque curto. E depois a tal rapariga, a Maria Teresa, mostrou-me Frusciante.

Figas: Frusciante é altamente, John Frusciante. Dos melhores músicos de sempre.

Qual o primeiro álbum que se lembram de ouvir vs o álbum que andam a ouvir agora?

Figas: O primeiro álbum que me lembro de ouvir acho que foi o ‘In Utero’ dos Nirvana. E o álbum que ando a ouvir agora é o ‘Kid A’ dos Radiohead.

Guga:OK Computer’ dos Radiohead é o meu primeiro álbum e o álbum que ando a ouvir é o ‘Freedom’s Goblin’ do Ty Segall.

Gabi: O primeiro álbum foi o ‘Unknown Pleasures’ dos Joy Division e agora ando a ouvir ‘Recomeçar’ do Tim Bernardes.

Diogo: O primeiro não me lembro, mas agora tenho ouvido Terno, os álbuns todos.

Quais as vossas influências a nível musical enquanto artistas, quer individualmente quer como colectivo?

Figas: A nível pessoal, John Frusciante, Nirvana, Radiohead – vou-me esquecer de alguma coisa que me vou arrepender – só quero dizer alguma coisa fixe para que as pessoas pensem que eu sou fixe – na realidade não quero saber. A nível colectivo, Unknown Mortal Orchestra, Mac DeMarco, para este álbum. The Beatles, Pink Floyd, Frank Zappa – isto a nível colectivo.

Gabi: O Gabi gosta muito de Mac DeMarco e King Krule; são os dois deuses da música do século XXI. Também gosto muito do Aphex Twin.

Guga: Zappa, Coltrane, Miles Davis… não sei que estou a fazer, qual é a pergunta? (risos)

Diogo: The Beatles e Queen, foi quando comecei a ouvir música de jeito.

Como definiriam o vosso som?

Figas: Frequências cósmicas.

Gabi: Para mim o nosso som é aquilo que eu quero ouvir mas que não ouço! (risos)

(depois de perguntar pela centésima vez qual era a pergunta, o Guga decide levar o Diogo e o Gabi pelo mau caminho que escolheu e fazem uma conferência para decidir a resposta, que depois de grande ponderação assume a forma de: rock despenteado)

Quais as expectativas para o futuro dos Psychtrus?

Figas: Zero – não estou a brincar – zero expectativas. Qualquer expectativa é uma armadilha para te desiludir. O que nos interessa é fazermos música na garagem ao nosso gosto e tocá-la ao vivo para vosso gosto. Não temos compromissos, nem pensamos no futuro, tudo o que fazemos é porque gostamos. O futuro não existe, o que existe é o agora.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ouve o álbum de estreia da banda, editado em Setembro de 2017:

 

 

Anúncios

One thought on “A DAY IN THE LIFE with: Psychtrus

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s