A noite catártica dos Idles no Hard Club

Os Idles aterraram no Hard Club como uma avalanche, levaram tudo à frente e não fizeram encore.

Bilhetes esgotados, sala cheia, suava-se antes da primeira música e depois da última já não era fisicamente possível suar mais. A banda acordou com as boas notícias que Joy as an Act of Resistance foi eleito melhor álbum do ano da BBC Radio 6 e que Jon Beavis foi eleito o segundo melhor baterista de rock de 2018 no site MusicRadar, mas quando subiram ao palco a fatiga da vida na estrada era visível. No entanto, ao fim de algumas músicas foram despertando e chegaram no fim a declarar o público do Porto como o melhor de toda a digressão (não tendo como comparar, acreditamos).

Isto porque o público do Hard Club trouxe a energia guardada para o início de uma semana de trabalho e gastou-a toda nos incessantes mosh pits e stage dives e cantaram em coro todos os refrões com tanta emoção que o hino nacional devia ter inveja.

A banda deu o tudo por tudo para dar um concerto absolutamente memorável e não há dúvida nenhuma que o conseguiram. Tocaram Joy as na Act of Resistance na íntegra (com a excepção da intocável June) e passaram por mais de metade de Brutalism, tocando todas as favoritas do público – alguns dirão que fez falta Heel/Heal, mas Colossus tornou-se a introdução perfeita e insubstituível.

Enquanto Joe Talbot, vocalista, advertia o público contra a violência e a excessiva libertação de testosterona (“I’m a fucking feminist!”)e agradecia do fundo do coração no final de cada música, tentando, o melhor que podia, pronunciar português, Mark Bowen fez do palco e do público o seu brinquedo, largando a guitarra e saltando do palco, levando o microfone a todas as vozes, e a fazer o seu melhor para se assegurar que todos se divertiam. A interacção da dupla dava uma sitcom, culminando num dueto de All I Want for Christmas is You. Quando a música é assim tão boa e os músicos são assim tão simpáticos, é impossível não gostar.

“We don’t do encores, encores are for losers”disse Joe, mas com um espectáculo destes nem é preciso pedir por mais. Tudo o que se pode querer num concerto e ainda mais, até faz valer a pena levar com sovacos na cara.

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Os JOHN (boa sorte a pesquisar no Google) deram as boas vindas ao público e seguraram o forte antes da avalanche. Foi um literal concerto de aquecimento pois alguns aproveitaram para esticar as pernas e se prepararem para o que vinha depois.

Completamente desconhecidos, conseguiram captar a atenção do público e deram o seu melhor. Numa altura em que bandas com dois membros se tornaram banais, vieram prontos para se provarem num teste de fogo. Infelizmente, com o avançar do concerto, foi-se notando a homogeneidade das músicas mas a actuação não durou tempo suficiente para se tornar aborrecido. No final de tudo mereceram

Texto: Luís Barreto Ramos
Fotografia: © André Henriques

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