SEQUOIA GUZMÁN: o novo nome do rock a ter em conta

Sequoia Guzmán é o projecto musical encabeçado por André Faria, que conta com a presença de Álvaro Granja, Gonçalo Teles e Diogo Faria (irmão) – estes dois últimos talvez soem familiares pois são metade da laranja que forma os Psychtrus.

Este álbum homónimo é o seu primeiro trabalho de estúdio e parece que os Sequoia quiseram marcar o seu começo de revólveres erguidos e com toda a pujança. Em 45 minutos, os quatro tirsenses três tirsenses e um famalicense apresentam uma barragem de estilos e influências não muito comuns no panorama actual, que vão de Beach Boys a Olivia Tremor Control, Capitão Fausto e os spaghetti-westerns de Ennio Morricone.

Já tinham vindo ao público quatro faixas do álbum (Beira-mar, Mais perto de ti, Dá-me a tua mão e 5€), ou seja, quase metade da tracklist. Parecia um tremendo spoiler, no entanto as faixas restantes foram a verdadeira surpresa. É nelas que se encontram alguns dos pontos mais fortes do projecto.

O início é dado por Porto Frio, um verdadeiro esforço de equipa com um verso bastante groovy que se eleva com coros e teclas ao passar para o refrão. A voz rouca de André dá-nos as boas vindas ao som dos Sequoia Guzmán e assim nos acompanha durante praticamente todo o álbum, com as suas letras repletas de metáforas e expressões memoráveis, passando do grito mais selvagem à melodia mais sensível, sempre com mestria. Esta faixa mostra perfeitamente o que torna os Sequoia Guzmán tão interessantes: as suas estruturas musicais ambiciosas, influenciadas por rock progressivo clássico, desviando-se do comum verso-refrão-verso-refrão com salpicos de instrumentação variada e mudanças abruptas de direcção. Ouvir este álbum é como uma viagem no carro com os amigos em que o condutor se está constantemente a enganar nas saídas da auto-estrada, passando por todas as terrinhas e vilas caricatas do percurso.

Aproximamo-nos mais do roque and role com faixas como Beira-mar e Dá-me a tua mão e vamos a caminho do psicadélico com Planos astrais e Post mortem, talvez estas as quatro músicas mais distintas entre si, onde no meio se encaixam Porto frio, Mais perto de ti e Arco do Cego II (um favorito pessoal). Neste diagrama de Venn estudamos então a Sequoia de André Faria e amigos (e irmão). Temos coros infeciosos a ecoarem em Ecoou e danças frenéticas em 5€, e em todas elas aponto um foco especial ao trabalho de percussão de Diogo Faria, que se supera aqui constantemente de música para música.

É realmente impressionante o trabalho coeso que a banda mantém mesmo mudando tantas vezes de estilo, é uma máquina bem oleada e trabalhada, quer nos seus momentos mais minimalistas ou expansivos e surpreende sempre pela positiva.

Este é um álbum para ouvir e repetir, dançar e contemplar. Com um começo tão forte, vem sempre o receio do seguimento, mas tenho a total confiança nos Sequoia Guzmán e sei que ainda nos aguardam muitas surpresas e muitos sorrisos parvos, como o que se cola na cara quando se chega ao final do álbum e se ouve a guitarra lead de Post mortem a guiar-nos lentamente ao silêncio e à despedida. Eu clico no repeat.

Texto: Luís Barreto Ramos

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